segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Apocalipse - Estudo 3


O Livro da Revelação
Cartas às Igrejas – Parte II
No capítulo anterior, começamos o estudo sobre as cartas do Apocalipse e vimos as cartas destinadas a Éfeso, Esmirna, Pérgamo e Tiatira (Ap 2)
Hoje, estaremos considerando as cartas às igrejas de Sardes, Filadélfia e Laodicéia (Ap 3)
Como vimos anteriormente, essas sete igrejas (as quatro do estudo anterior mais as três de hoje) são representativas das demais igrejas da Ásia e, possivelmente, de todo o império romano.
Procurando aplicar as grandes verdades espirituais do Apocalipse aos nossos dias, não será demais considerar que essas sete igrejas são também representativas das igrejas de hoje.
5ª Carta - À Igreja de Sardes – Morta ou Viva ?
(AP 3:1-6) — Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. (2) Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus. (3) Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti. (4) Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas. (5) O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. (6) Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
O nome da cidade de Sardes vem da palavra hebraica “sarid” que significa “o que escapou” ou “o remanescente”. Historicamente, Sardes era a capital da Lídia e tinha um passado cheio de glórias.
Entretanto, no tempo dos romanos, isto é, na época de João, Sardes havia declinado muito, tornando-se uma cidade provinciana e sem brilho.
O remetente da carta à igreja de Sardes, Cristo, se identifica como "o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas" (v.1).
Os sete Espíritos de Deus significam a plenitude do Espírito Santo. Agora, reparem, o Senhor revelou pela boca do profeta Isaias essa plenitude do seu espírito...
Em Is 11:2 está escrito que — Repousará sobre ele o 1 Espírito do SENHOR, o 2 Espírito de sabedoria e 3 de entendimento, o 4 Espírito de conselho e 5 de fortaleza, o 6 Espírito de conhecimento e 7 de temor do SENHOR.
Reparem que Cristo tem, portanto, todos esses poderes, pois os sete Espíritos de Deus estão sobre Ele... tudo está em suas mãos, inclusive os destinos da igreja...
Muitas pessoas dizem que o crente precisa ter ou viver na plenitude do Espírito Santo. Mas, reparem, isso é uma grande tolice, isso é impossível ao ser humano... Nenhuma pessoa pode suportar a plenitude do Espírito Santo...
Aliás, cabe observar que essa expressão não aparece em nenhum lugar da Bíblia. Agora, o que o Senhor quer de nós é que fiquemos “cheios” do Espírito Santo, o que é muito diferente...
Vamos pra frente. Nas cartas anteriores, sempre havia primeiro um elogio e só depois o remetente fazia a crítica ao ponto negativo da igreja.
Aqui, porém, Jesus inverte a ordem. Há mais pontos negativos do que positivos. Em essência, a crítica se refere ao fato de que a igreja de Sardes demonstrava, externamente, uma grande atividade, mas, internamente, não tinha nenhuma vida espiritual. Por fora, parecia viva, mas, por dentro, estava morta.
Ou seja, após um início cheio de vida, a igreja de Sardes endureceu o seu coração. Reparem que essa igreja, em contraste com as outras que já vimos, ela é deixada em paz... Satanás não a perturba, Satanás não é nem citado aqui. Por quê??
Porque em Sardes não há falsas doutrinas, não há falsos profetas, também não há sofrimento, nem tribulações... justamente porque aquela igreja está morta. “tens nome de que vives e estás morta” (v.1c).
É claro que Sardes está morta aos olhos do Senhor, porque, aos olhos do mundo, ela tem nome e parece, somente parece, estar viva.
Ou seja, tudo parece estar em ordem, mas falta algo, e ela pretende algo que não existe. É exatamente isso que acontece com muitas pessoas que se dizem cristãs... têm nome de cristão, mas não vivem como cristão, são pessoas que estão mortas espiritualmente...
E aqui, o Senhor Jesus dá um aviso à Igreja. Ele aconselha a igreja de Sardes a ser vigilante e a "confirmar as coisas que restam, que estavam para morrer" (v.2).
Naquela igreja, existia ainda alguma coisa que estava viva e que, por isso mesmo, poderia reverter o estado moribundo daquela igreja... caso eles ouvissem as palavras de Jesus, o remetente da carta.
O aviso à vigilância tinha um especial significado para os habitantes de Sardes, pois a cidade estava edificada em uma elevação... Era uma cidade fortificada, e três dos seus lados terminavam numa espécie de precipício.
Reparem que, no NT, o termo "vigiar" se refere mais a manter-se ocupado plenamente no serviço do que simplesmente manter os olhos abertos.
O Ponto Positivo e as Promessas.
Na igreja de Sardes, poucas pessoas mereciam algum elogio. Esses "não contaminaram seus vestidos" (v.4), significa que alguns não participavam dos cultos pagãos, do mundanismo reinante e da corrupção da cidade.
Esses poucos haviam permanecido fiéis ao Senhor. Para este grupo fiel é, então, prometido que ele andará com o Senhor, "vestido de vestes brancas" (sem manchas) (v.5).
Esta figura tem um especial significado para Sardes, pois a cidade se orgulhava de seu comércio de tecidos coloridos, usados especialmente pelas pessoas mundanas...
6ª Carta - À Igreja de Filadélfia - Aquela com uma Porta Aberta
(AP 3:7-13) — Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá: (8) Conheço as tuas obras - eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar - que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. (9) Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei. (10) Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra. (11) Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. (12) Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome. (13) Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
O Ponto Positivo:
É interessante notar que existem muitas referências positivas à igreja de Filadélfia. Ela não recebe críticas do Senhor... Ao contrário, Jesus coloca diante dela "uma porta aberta que ninguém pode fechar" (v.8).
Cristo sabe que a igreja por si só é fraca, "tens pouca força" (v.8b), diz o Senhor Jesus. A igreja, porém, estava sendo fiel, guardando o nome de Jesus, e a porta aberta daria a ela a oportunidade de ser uma igreja estratégica.
A igreja de Filadélfia é a única que recebe somente elogios. Filadélfia significa amor fraternal...
O texto nos diz que a igreja de Filadélfia podia progredir, apesar de sua pouca força. Filadélfia era conhecida como "a cidade missionária", pois havia sido fundada para fomentar a civilização greco-asiática e o idioma e os costumes gregos na regiões orientais da Lídia e da Frigia.
A "porta aberta", portanto, era uma referência à possibilidade da igreja de Filadélfia compartilhar da vocação cultural da cidade e desenvolver uma estratégia missionária própria, de proclamação do Evangelho de Jesus.
Aliás, é interessante observar uma certa correlação entre igrejas vitoriosas com aquelas que têm "missões" e evangelismo como uma de suas motivações e prioridades principais.
A Promessa:
Assim, por terem agido com fidelidade, Cristo promete aos crentes de Filadélfia, sua graça sustentadora nas tribulações que se abateriam sobre todo o mundo.
As tribulações não os venceriam (v.10). A Igreja de Filadélfia é encorajada pela próxima vinda do Senhor (v.11)
Várias outras promessas são ainda feitas (v.12) aos que forem fieis: — "Ao vencedor, farei dele coluna no templo do meu Deus", numa alusão a sobrevivência da igreja fiel.
Além disso, como a cidade de Filadélfia ficava em uma região sujeita a terremotos, os crentes daquela cidade entendiam muito bem o significado, ou valor, de uma coluna.
Cristo estava dizendo que, apesar dos terremotos das perseguições, os fiéis seriam como colunas inabaláveis de um templo indestrutível.
Reparem que, no Apocalipse, não há promessa de que os crentes escapam ao sofrimento e à morte. Há promessa, entretanto, de que mal algum aconteceria às suas almas.
Cristo promete, ainda, à igreja de Filadélfia, que viria "sem demora", embora não fique claro se esta expressão se refere à segunda vinda do Senhor.
Convém também observar que essa promessa não estabelece um prazo, uma vez que “sem demora” pode significar, igualmente, "repentinamente" ou "inesperadamente".
Por outro lado, que sentido haveria em abrir uma porta missionária para Filadélfia, se Jesus estivesse voltando logo a seguir?
7ª Carta - À Igreja de Laodicéia – A Igreja com uma Porta Fechada
(AP 3:14-22) — Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: (15) Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! (16) Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; (17) pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. (18) Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. (19) Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. (20) Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. (21) Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. (22) Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
A cidade de Laodicéia era uma cidade próspera. Por ela passavam três estradas romanas. Era, assim, o principal centro de comércio e de finanças da região, sendo reconhecida também como centro terapêutico para os olhos, por conta de um ungüento que era lá fabricado.
Seu progresso tendia a levar seus moradores a serem arrogantes, orgulhosos e independentes, o que de certa forma, refletia na igreja.
Reparem que, das sete igrejas, Laodicéia é a única sobre a qual nada é dito de positivo. Cristo acusa a igreja de Laodiceia de ser uma igreja indiferente — "Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca ..." (v16).
Reparem que Jesus se utiliza das características da cidade para exortar os crentes de Laodiceia. Ele os chama de pobres, apesar de serem abastados, de cegos, apesar do ungüento, ou colírio, para os olhos, que ali se fabrica. E Ele os chama de nus, apesar das boas roupas que usavam.
Cristo, utilizando a linguagem simbólica e contextualizada do comércio de Laodicéia, aconselha no verso 18, que a igreja compre dele "ouro refinado", "vestiduras brancas" e "colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas".
O Aviso e a Promessa:
No verso 19, Cristo avisa que a igreja será repreendida e disciplinada porque Ele a ama. Aquela igreja tinha tudo, menos Cristo. (v.20) Eis que estou à porta e bato...
Misericórdia!... O Senhor permanecia do lado de fora batendo à porta. Se alguém a abrisse, Ele entraria e poderia começar a mudar a igreja, mesmo com uns poucos que lhe fossem fiéis.
Ao que vencer o espírito de indiferença e letargia e "abrir a porta", Cristo promete entrar por ela e cear com ele...
O Senhor Jesus promete também que o crente fiel sentará no seu trono, junto com Ele. O brado de alerta contra a indiferença e a apatia espiritual, ainda, está vivo no Apocalipse, dirigido não só a Laodicéia, mas a todas as igrejas na face da terra.
Esse brado de alerta está também dirigido a você e a mim.
É nosso desejo sincero que, ao lermos a mensagem do Apocalipse, destinada primariamente àquelas sete igrejas da Ásia Menor, nós possamos ver a nós mesmos em algumas dessas igrejas... Nós precisamos ser uma igreja vibrante...
Nós precisamos receber, com sabedoria, as palavras de Cristo a nós mesmos endereçadas, seja de crítica, de aviso ou de promessa. "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas", conclui (Ap 3:22). Amém.

4 comentários:

  1. Ola meu nome é Karina eu estava mesmo tentando entender a palavra de apocalipse 3:14-22 porque ela e uma palavra que chamou minha atenção e escolhi ela para ministrar essa semana.
    Gostei muito do estudo que Deus abençoe o Pastor e continue dando sabedoria a ele.
    Obrigado e A paz do Senhor Jesus.

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  2. gostaria de saber o sgnificados da palabras sardes/ laodicéia/filadelfia estou tentando estudar um poco sobre apocalipiço

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  3. Olá meu nome é Eliones,sou professor e coordenador da EBD da igreja Evangélica Assembleia de Deus em Porto Velho/RO. Gostei muito de sua explanação que o Senhor Deus continue te abençoando.
    Porto Velho 12/05/2012

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  4. Estudo aprofundado e com uma bela ilustração dos fatos bíblicos aplicado aos nossos dias. Foi de grande utilidade para enriquecer um estudo que estou desenvolvendo. Abraço! Pr. Paulo Rogério.

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