terça-feira, 4 de agosto de 2009

Apocalipse - Estudo 4



O Início da Visão

Ap 4 – Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas. 2 Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado; 3 e esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda. 4 Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro. 5 Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e, diante do trono, ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus. 6 Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também, no meio do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás. 7 O primeiro ser vivente é semelhante a leão, o segundo, semelhante a novilho, o terceiro tem o rosto como de homem, e o quarto ser vivente é semelhante à águia quando está voando. 8 E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir. 9 Quando esses seres viventes derem glória, honra e ações de graças ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos, 10 os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: 11 Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.
Como vimos anteriormente, o cap. 1 do Apocalipse descreve o Cristo Vitorioso, no drama em que o Apóstolo João encontra-se desvendando em sua visão.
Os cap. 2 e 3 falam a respeito do auditório, isto é, a quem se destina esse drama.
Assim, esse auditório, inicialmente, são as sete igrejas da Ásia Menor, mas, num sentido mais amplo, significa todas as igrejas e todos os crentes em todos os tempos...
Desta maneira, até aqui, o que apresentamos aos irmãos foi uma espécie de preparação para o que se inicia neste capítulo 4, o qual é o centro do nosso estudo de hoje.
A partir de agora, surgirão cenas, no livro do Apocalipse, que têm o objetivo de dar aos cristãos perseguidos, especialmente aqueles da época do imperador Domiciano, a certeza de que a causa de Cristo será completamente vitoriosa.
Este capítulo 4, portanto, bem como o estudo da próxima 4ª feira, servem como uma introdução ao que se desenvolverá a seguir.
Todavia, antes de prosseguirmos, buscando compreender a cena descrita no cap. 4, é importante ressaltar três princípios necessários para melhor compreendermos o simbolismo que é aqui utilizado.
A linguagem usada é a própria linguagem "apocalíptica", ou seja, é uma linguagem que não está fundamentada na razão, mas, sim, na imaginação.
A mensagem dos símbolos deve ser vista, de uma forma geral e não nos seus detalhes. Estes detalhes, em sua maioria, não trazem nenhuma mensagem específica, mas apenas compõem o cenário, contribuindo para dar cor, luz, som e movimento à cena.
Por exemplo, a utilização de números raramente tem significado numérico ou aritmético.
A numerologia judaica, presente em diversos outros escritos, revela que o número 1 simbolizava a própria unidade (um objeto).
Já o número 2 estava relacionado ao conceito de fortaleza, de confirmação ou de coragem (duas testemunhas).
O 3 está vinculado àquilo que é divino (Pai, Filho e Espírito Santo), enquanto o 4 simbolizava o mundo físico (quatro pontos cardeais).
O número 5 representa os dedos da mão, sendo por isso, associado à perfeição humana... Quando não há mutilação na guerra, os dedos da mão são cinco.
O dobro de 5, que é 10, se constitui nos mandamentos de Deus.
O 7 é o resultado da soma do quatro (mundo físico) e três (divino), simbolizando a perfeição.
E o 6 é aquele que falhou em sua tentativa de alcançar o 7 da perfeição, está, portanto, associado à falha, ou à queda e ao pecado.
Há também outros números que são combinações de uns com os outros, como é o caso do 666 (o número da besta), ou o 40 que quer dizer a provação humana — 40 anos do povo de Israel no deserto, 40 anos do exílio de Moisés.
O número 70, é um outro exemplo de combinação que significa o super sagrado... há ainda a multiplicação de 3 x 4 = 12, que significa a religião organizada — as 12 tribos de Israel e os 12 discípulos do Senhor Jesus.
Vamos, agora, entrar no cap. 4 propriamente...
O Trono de Deus, os 24 Anciãos e os 4 Seres Viventes
João, o autor do Apocalipse, em espírito, entra pela porta do céu para receber a grande primeira visão.
(AP 4:1-2) — Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas. (2) Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado;
Reparem que esse cap. 4 começa dizendo: — Depois destas coisas... O que significa esse DEPOIS? Para compreendermos o que significa essa expressão Depois destas coisas, vamos recapitular mais uma vez o que vimos nos capítulos anteriores, só que agora vamos ver de uma maneira diferente.
No seu sentido geral, os três primeiros capítulos tratam da Igreja de Jesus, com aquelas mensagens que são dirigidas às 7 igrejas. Além disso, precisamos nos lembrar da ordem que o Senhor Jesus dá a João. Ele diz em 1:19
1. Escreve, pois, as coisas que viste... O que João havia visto? João viu o Senhor glorificado e viu, também, que Ele estava voltando (1:1-20). Esta visão foi tão espetacular, tão magnífica, que João cai como morto... O v. 17 diz — Quando o vi, caí a seus pés como morto.
2. O v.19b prossegue e diz – Escreve... as (coisas) que são... As que são, são as sete igreja (2:1 – 3:22).
3. E ainda no v.19c, o Senhor ordena que João escreva – as que hão de acontecer depois destas. João devia, portanto, escrever também o que aconteceria na terra depois da época da Igreja de Jesus, ou seja, depois do arrebatamento da igreja..
Pois bem, agora, o (4:1) diz — Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.
Reparem que João vê primeiro aquilo que é essencial, o principal: ou seja, O Evangelho, mais exatamente o resultado da redenção... Esta é a mensagem que precisamos anunciar a todo o mundo, a mensagem de que o véu do santuário foi rompido, o céu está aberto, a porta está aberta no céu... E em Jo 10:9, o Senhor Jesus diz — Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo...
Mas, João não somente vê, ele também ouve (4:1b) – como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo... Reparem que João imediatamente reconhece a voz, porque ele já havia ouvido aquela voz no (1:10) – Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta...
Aliás, o próprio Apóstolo João escreveu em Jo 10:3-4 – ...as ovelhas ouvem a sua voz... e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz;
Agora, reparem, se João diz aqui: – a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo — Ele está salientando que aquela voz é a voz do Senhor. Em outras palavras, ele está dizendo: – é o meu Senhor que me chama!
E o chamou com uma trombeta... Isso significa que, figuradamente, João foi arrebatado em espírito, e esse arrebatamento se realiza de modo semelhante ao futuro arrebatamento da igreja. Por quê? Porque o arrebatamento, diz a Palavra em 1 Co 15:52, acontecerá — num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta.
Assim, João é, figuradamente, arrebatado e vê a igreja glorificada no céu, ou seja, ele vê a nós, nós que somos a igreja do Senhor, na glória dos céus...
Vejam também que João chega muito rapidamente ao céu. O v.2 diz: – Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado;
Reparem, também, que a 1ª coisa que João vê é um trono, no qual alguém está sentado. Existe uma razão para João se referir ao trono, e não à pessoa que está sentada naquele trono... /// Não foi em vão que Deus disse a Moisés em Ex 33:20 — ...Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá.
Por esse motivo, João faz apenas uma alusão a alguém que está assentado no trono, ou seja, ele não chega a dizer que viu Deus... Fala somente no trono e sobre alguém assentado, e depois ele descreve o que havia ao redor do trono, sobre o trono e o que saía do trono...
Parece claramente que João teme falar o nome de Deus, teme descrever sua aparência... diz apenas alguém assentado... É como se ele ficasse mudo diante da visão gloriosa de Deus.
A mensagem da visão, que se segue na narrativa bíblica, tenta mostrar um retrato de Deus, ressaltando Sua soberania sobre o Universo e alguns de seus atributos. Vejamos:
1. Deus é espírito:
O Apóstolo João, na realidade, não tenta, ou, pelo menos, não consegue retratar o Soberano de todo o Universo.
No texto, ele diz somente que Deus é semelhante a alguma coisa, comparando o Senhor a pedras como o jaspe, que é um cristal, e a sardônica, uma pedra avermelhada de brilho faiscante.
(AP 4:3) — e esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda.
Ao comparar a natureza de Deus a essas pedras, João sugere que a expressão do caráter de Deus é gloriosa como uma jóia preciosa.
2. Deus é soberano:
(AP 4:4) — Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro.
É possível que essas 24 pessoas representem os doze patriarcas da velha dispensação e os doze apóstolos da nova aliança.
De tempos em tempos os vinte e quatro anciãos prostram-se diante de Deus que está assentado no trono e depositam suas coroas diante do Senhor, demonstrando a soberania do Deus Altíssimo.
(AP 4:10-11) — os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: (11) Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.
Reparem que esses anciãos são reis, pois eles usam coroas, mas demonstram, com sua atitude, que Deus é Soberano, o grande Rei sobre todas as coisas.
Esta é uma forma de mostrar o erro da pretensão blasfema e herege do imperador Domiciano de se proclamar divino. Os crentes perseguidos são grandemente encorajados através da demonstração de quem é realmente o soberano...
3. Deus é Poder:
(AP 4:5) — Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e, diante do trono, ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus.
Esta referência revela o poder de Deus a partir das manifestações da Natureza criada por Ele mesmo...
4. Deus é imanente na sua Criação: Isto é, Deus é inseparável da sua criação.
Reparem que no v.5 há menção aos "sete espíritos" de Deus, como explicamos na semana passada, usando o texto de Isaias 11:2. Essa menção aos sete espíritos é uma referência à perfeição do Espírito Santo de Deus, que continuamente visita os crentes para os ensinar, consolar e capacitar.
5. Deus é Santo:
(AP 4:6) — Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também, no meio do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás.
Reparem que o v.6 se refere a um mar de vidro diante do trono de Deus, sugerindo o quanto Deus é transcendente e majestoso. Por causa da majestade divina o homem não pode se aproximar de Deus porque Ele é Santo... Há, portanto, uma separação entre Deus e o homem, e esta separação é representada pelo mar referido simbolicamente neste versículo.
6. Deus é Fonte de Vida:
A visão, neste ponto, fala de quatro seres viventes no meio e à volta do trono. Cada um deles é semelhante, respectivamente, a um leão, a um novilho, a um homem e a uma águia voando.
(AP 4:7-8) — O primeiro ser vivente é semelhante a leão, o segundo, semelhante a novilho, o terceiro tem o rosto como de homem, e o quarto ser vivente é semelhante à águia quando está voando. (8) E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.
/// Estes 4 seres viventes não são anjos, porque se fossem isso estaria escrito de alguma forma. Mas, reparem, estes 4 seres viventes estão no MEIO do trono e à volta do trono, eles estão, portanto, próximos, muito próximos de Deus... podemos dizer até que eles fazem parte de Deus... ou seja, eles representam as 4 características de Deus:
O 1º ser vivente – semelhante ao Leão – Leão é a figura da majestade, da força e do poder criador de Deus. Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores... Ele é o LEÃO DE JUDÁ...
O 2º ser vivente – semelhante a um novilho - significando que Deus entrega a sua força e o seu poder em sacrifício... ou seja, o novilho significa que Deus se deixou sacrificar em Cristo Jesus...
O 3º ser vivente - tem o rosto como de homem – significando a renúncia de sua glória quando o Senhor Deus veio a esse mundo na figura de HOMEM, em Jesus Cristo. Fp 2:7 diz assim – a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,
O 4º ser vivente - semelhante à águia quando está voando – significando que apesar da renúncia, que apesar da limitação que Deus se impôs quando veio a esse mundo, quando se tornou homem, ELE continua sendo aquele que está nos mais altos lugares, acima de todas as coisas...
Além disso, estes 4 seres também representam todos os seres viventes da Natureza: os animais selvagens, os animais domésticos, os seres humanos e os pássaros.
E, tais seres estão sempre no trono de Deus onde reside toda a fonte de vida.
Assim, o cap. 4, que acabamos de estudar, dá início às descrições das visões que se ampliarão nos capítulos seguintes.
Em essência o cap. 4 apresenta a soberania de Deus, o Eterno Criador que protege o Seu povo... Este é o encorajamento que, inicialmente, é apresentado aos perseguidos e massacrados cristãos da Ásia Menor...
Entretanto, esse encorajamento que se aplica a todos os crentes em todos os séculos. O sofrimento, as perseguições e as provações estão sempre presentes na nossa vida, mas são coisas temporárias, uma vez que Deus, o nosso Defensor, é o Soberano da História.
Amém.

Um comentário:

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