terça-feira, 28 de julho de 2009

Apocalipse - O Livro da Revelação - Estudo 2


Cap. 2 – Cartas às Igrejas
Vimos anteriormente, ao iniciarmos o estudo do livro do Apocalipse, que este livro trata essencialmente da Revelação de Jesus Cristo. Neste sentido, salientamos que Apocalipse é o mesmo que Revelação...
Vimos também que a mensagem principal do Apocalipse é o anúncio da volta de Jesus, a 2ª Vinda = Parusia...
Agora, estaremos dando início ao estudo das cartas às sete igrejas, que estão nos capítulos 2 e 3... Talvez esta seja a parte mais conhecida do Apocalipse, basicamente, por ser o trecho do livro de mais fácil compreensão.
As igrejas em questão eram igrejas reais, e tudo indica que João não pretendia ser apenas genérico colocando, nessas cartas, profecias referentes aos vários períodos da história eclesiástica.
João estava considerando a onda crescente de perseguição que estava se abatendo sobre aquelas igrejas. E ele, também, conhecia as necessidades das pessoas que efetivamente freqüentavam aquelas igrejas.
Como vimos em estudo anterior, o número sete sugere a idéia de perfeição. O nº 7 é a soma de três, que simboliza o divino (Pai, Filho e Espírito Santo) com o quatro, que traz a idéia de mundo no sentido físico (os pontos cardeais, são quatro: Norte, Sul, Leste e Oeste).
Portanto, as mensagem às sete igrejas da Ásia Menor, Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardo, Filadélfia e Laodicéia, igrejas históricas, reais e conhecidas... vão além dessas igrejas.
Essas mensagens se destinam às demais igrejas da Ásia Menor e de outras regiões. Ela se destina também a todas as igrejas que vieram depois, incluindo as nossas igrejas atuais.
Como a natureza humana é a mesma ao longo do tempo, com seus anseios, suas fraquezas e seus pecados, e a História evolui em ciclos, o conteúdo dessas cartas se mostra atual também para as igrejas e para os crentes de hoje.
Características Gerais das Cartas
Todas as sete cartas apresentam elementos que são comuns:
. Cada carta é endereçada ao "anjo" da igreja (seu pastor)...
. Há a identificação do remetente (Cristo). Este remetente revela possuir profundo conhecimento de cada igreja, louva a igreja naquilo que ela tem de bom e demonstra seu desagrado pelo que ela tem de negativo...
. Há uma parte final de aconselhamento e a promessa para os que permanecerem firmes e fiéis.
. Da mesma forma que as parábolas, as cartas consistem de palavras proferidas pelo próprio Senhor Jesus... E todas as cartas são concluídas com a ordem de Cristo: – Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas...
Vamos ouvir, portanto, o que o Espírito diz HOJE à igreja:
A 1ª Carta — Igreja de Éfeso – Fiel, mas em Falta
(AP 2:1-7) — Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: (2) Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; (3) e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. (4) Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. (5) Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas. (6) Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio. (7) Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.
Ao tempo dessa carta, Éfeso era uma grande e rica cidade, com uma população variada, ricos, pobres, letrados e analfabetos... Era uma cidade culta, abastada e corrompida...
Ali existia o Templo pagão de culto à deusa Diana...
O ponto positivo da igreja de Éfeso, elogiado na carta, era a fidelidade no trabalho cristão e na doutrina. Entretanto, o autor da Carta, o Senhor Jesus, observa um ponto fraco na igreja de Éfeso (v.4) — Tenho, porém contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
Parece que a igreja, apesar de atuante e firme na doutrina, estava deixando de lado o verdadeiro motivo, ou o espírito do serviço Cristão: o amor.
É possível que os membros da igreja de Éfeso estivessem mais presos a um ativismo e a um formalismo doutrinário do que a uma verdadeira resposta, em amor, à ação e ao comando do Espírito de Deus.
A recomendação que Cristo faz à igreja de Éfeso pode ser resumida em três verbos: lembrar, arrepender-se e voltar.
Lembrar-se da alegria e do entusiasmo de antes, e da força das ações firmadas no amor fraternal verdadeiro. Arrepender-se de um serviço feito sem amor, por mera tradição, e voltar ao primeiro amor.
Cristo afirma que, se eles não voltassem ao seu primeiro amor, estariam perdendo o direito de existir como igreja.
O v.6 diz: — Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.
Reparem que esse v.6 nos leva de volta ao v.2 — Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos — que fala de falsos apóstolos e de homens maus e mentirosos.
O v.6 fala também disso, com outras palavras. Os nicolaítas eram uma seita que, provavelmente, teve origem em Nicolau, prosélito de Antioquia, conforme está em At 6:5 — O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. — (prosélito = pessoa que adotou religião diferente da sua. Pessoa que se desviou....)
Os nicolaítas eram uma seita gnóstica que pregava o liberalismo, dizendo que a carne de nada valia e que, portanto, podia-se gozar livremente os prazeres da carne...
A própria palavra grega nicolaítas = dominadores do povo
Cristo promete à igreja de Éfeso no (v.7) que — ... Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus...
Neste contexto, Deus está afirmando que aquele que lhe for fiel, Ele lhe concederá alimento e sustento. Ele nos atende em todas as nossas necessidades, mas espera que façamos a nossa parte, sendo fiéis e vitoriosos, não aquém nem além de nossas forças, mas conforme as forças que Ele nos conceder.

2ª Carta — À Igreja de Esmirna – Os Santos Sofredores
(AP 2:8-11) — Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: (9) Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás. (10) Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. (11) Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.

Esmirna era uma rica e bonita cidade comercial que havia sido fundada por Alexandre Magno. A História nos fala de perseguições em Esmirna (=amargura)... O pastor daquela cidade era Policarpo que foi martirizado, no reinado de Trajano... Os cristãos de Esmirna haviam perdido todos os seus bens materiais, confiscados por Roma.
Cristo dirige palavras de louvor e conforto àqueles crentes, pois conhecia as suas tribulações e sua pobreza. Entretanto, Cristo afirma que, mesmo perdendo os seus bens, eles eram "ricos" de caráter.
O Senhor conhecia as "blasfêmias" dos judeus e faz referência aqueles que haviam escapado dos confiscos por se submeterem à adoração da imagem do imperador.
É interessante notar que o Senhor não promete tirá-los das dificuldades e apertos... Naquelas circunstâncias, as provações seriam a forma de lhes firmar o caráter...
É uma forma diferente da vitória apregoada pelos valores do reino deste mundo. Isto é, muitas vezes uma derrota material corresponde a uma vitória espiritual...
Reparem que o v.11b diz — O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.

Isso significa que o vencedor, o qual já possui a plenitude da vida eterna em Cristo Jesus, esse não passará pela 2ª morte. Existem dois tipos de morte: 1ª morte física; 2ª morte espiritual. Ou seja, quem nasce uma vez, tem que morrer duas vezes... Mas, quem nasce duas vezes, morre apenas uma vez (explicar)
3ª Carta - À Igreja de Pérgamo – No Quartel General do Inferno
(AP 2:12-17) — Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: (13) Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. (14) Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. (15) Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. (16) Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. (17) Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.

Reparem que Cristo elogia Pérgamo quanto à sua fidelidade em meio às provações. Aquela cidade abrigava o centro do culto ao imperador, e muitos dos crentes de Pérgamo foram martirizados em praça pública.
Dentro da igreja, entretanto havia membros que adotavam doutrinas heréticas as quais incluíam adoração de imagens e o cumprimento de deveres ditos espirituais em troca de benefícios materiais.
Alguns desses cristãos aconselhavam que valia à pena aderir ao culto ao imperador para poder escapar das perseguições.
Cristo, por outro lado, aconselha à igreja para que se arrependa dessa sua atitude, sob pena do Senhor entrar pessoalmente em guerra contra ela, combatendo-a com a "espada de sua boca".
A espada de dois gumes a que o Senhor se refere é a espada que separa o crente verdadeiro do crente infiel: A Palavra de Deus que convence, julga e separa o joio do trigo.
Agora, diferentemente do que o Senhor diz a Éfeso e a Esmirna — Conheço as tuas obras — aqui, no v.13 Ele diz: — Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás...
Ou seja, o Senhor está dizendo que, ali em Pérgamo, o príncipe das trevas tinha culto garantido através dos templos pagãos que existiam na cidade. Altar a Zeus. Culto de adoração ao imperador romano...
O v.13 prossegue – e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
Quando o Senhor diz que eles não negaram a fé, ainda nos dias de Antipas, ele está dizendo que até mesmo nos tempos de maior provação, sofrimento, perseguições e morte, aqueles crentes se conservaram fieis a Cristo...
Ao falar em Antipas, o Senhor possivelmente está se referindo a um líder da Igreja de Pérgamo, talvez bispo daquela cidade, que foi fechado dentro de um boi de bronze e colocado numa fornalha... Foi cozido vivo, mas até os últimos momentos ele se manteve em louvor e oração....
Assim, ao que for fiel, o Senhor Jesus apresenta uma promessa dupla (v.17) "dar-lhe-ei a comer do maná escondido"...
Ou seja, Cristo o sustentará espiritualmente e acrescenta: — Eu lhe darei uma pedra branca, e na pedra, um novo nome escrito.
A cultura de Pérgamo fazia vários usos da pedra branca. Ela poderia ser entregue aquele que era absolvido em um processo judicial... Era também concedida ao escravo liberto, pois a pedra era a prova de sua nova cidadania como livre.
A pedra branca era conferida, também, como medalha, ao vencedor de corridas ou de lutas... era concedida ao guerreiro, quando voltava vencedor...
Por isso, parece clara a analogia da pedra branca do tempo de Pérgamo com o prêmio espiritual que Cristo oferece. "Eu lhe darei uma pedra branca, e na pedra, um novo nome escrito", diz o Senhor no (v.17b).
4ª Carta – À Igreja de Tiatira – À Espera da Estrela
(AP 2:18-29) — Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: (19) Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. (20) Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. (21) Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. (22) Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita. (23) Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras. (24) Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; (25) tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha. (26) Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, (27) e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; (28) assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. (29) Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Reparem que Cristo elogia os crentes de Tiatira pelo amor deles, o que não estava ocorrendo em Éfeso. Louva-os também pelo progresso em suas obras.
Na aparência, portanto, trata-se de uma igreja sem problemas. Tiatira, porém, estava ligada a Pérgamo por uma boa estrada. Assim, a mesma heresia que assolava Pérgamo estava presente em Tiatira.
Parece que havia uma mulher na igreja que liderava o afastamento dos crentes das convicções do Evangelho e os conduzia para as heresias. Ela é designada como Jezabel.
Esse nome talvez seja simbólico por causa do seu mal caráter, fazendo referência à personagem do AT que foi esposa do Rei Acabe... e que implantou a adoração a Baal em Israel (1º Reis 16 e ss)
Aos vitoriosos, o Senhor promete não sobrecarregá-los mais do que as obrigações que eles já possuem.
Ele promete ao vencedor a "Estrela da Manhã", sua direção e sua liderança na hora escura das tribulações, perplexidades e provações.
A estrela era um antigo símbolo de senhorio, significando que os crentes fieis brilharão como estrelas, para todo o sempre. O sentido é, assim, de que os crentes entrarão na glória celestial e resplandecerão como estrelas no Reino de Deus. É como podemos ler em Mt 13:43 — Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino do Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
No próximo estudo estaremos vendo o cap. 3 com as cartas às demais igrejas, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Amém.

Um comentário:

  1. Obrigada Pr. Pedro!
    Me ajudou muito a entender as cartas.
    Que Jesus continue abençoando sua vida!

    Day Negromonte

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