quinta-feira, 25 de junho de 2009

Apocalipse, O Livro da Revelação - Estudo 1


Introdução e Capítulo 1
Este é o primeiro de uma série de estudos que estaremos desenvolvendo sobre o livro do Apocalipse. Nessa época de mudança do milênio, o assunto passa a ter um interesse maior, à medida que é comum associarmos o Apocalipse às coisas referentes ao final dos tempos...
Entretanto, como veremos ao longo desses estudos, encontraremos mensagens nesse livro da Bíblia não apenas endereçadas ao futuro, mas também mensagens referentes ao passado, e muitas que têm tudo a ver com os nossos dias atuais.
Nosso grande desafio, portanto, será procurar descobrir e entender o que este livro da Bíblia tem a nos revelar.
O texto deste livro pertence a uma classe especial de escritos conhecidos como apocalípticos.
Trata-se de um tipo de literatura surgida inicialmente no Antigo Testamento, em épocas de tribulação, de provação, de sofrimento e de tristeza.
Apocalipse não é o único livro da Bíblia que se utiliza deste estilo. O livro de Daniel, por exemplo, é considerado literatura apocalíptica. O mesmo se pode afirmar para trechos dos livros de Isaias (13 a 14), Ezequiel (1 e 28 a 39), e ainda, Joel (2 a 3) e Zacarias (9 a 14).
No período a partir do ano 210 a.C. e até cerca de 200 d.C. vamos encontrar uma grande produção de textos apocalípticos, a maioria textos fora do cânon da Bíblia.
Entre eles, estão os chamados, tais como O Livro de Enoque, Apocalipse de Baruque, Assunção de Moisés, O Livro do Quarto Esdras e outros.
* livros apócrifos = obra sem AUTENTICIDADE, ou cuja autenticidade não foi provada
Os escritos apocalípticos têm em comum vários pontos que caracterizam uma linguagem especial. Alguns desses pontos são os seguintes:
. Salientam a esperança e as expectativas escatológicas, isto é, ligadas às últimas coisas, ou à consumação da história e ao fim dos tempos.
• Asseguram a intervenção de Deus para a redenção do seu povo.
• Interpretam os conflitos e os problemas que estão acontecendo, à luz do fim da história. O texto sempre está associado a uma situação histórica crítica.
Conhecer essa situação histórica facilita a interpretação do texto. Os textos em geral se propõem a fornecer conforto, segurança e coragem em dias difíceis...
• Apresentam mensagens dentro de uma estrutura de visões que seus autores tiveram. Estas visões são descritas numa série de símbolos extraordinários, tais como, criaturas estranhas, bestas e animais voadores fantásticos.
• Identificam seus autores por meio de pseudônimos para serem melhor aceitos pelo povo, escapando ao mesmo tempo, da oposição e opressão dos inimigos políticos.
O livro que estamos estudando, entretanto, não seguiu essa regra, uma vez que João se nomeou seu autor. Ele declara seu nome, mas esconde sua mensagem no estilo e na codificação da literatura apocalíptica.
Quando comparado com os demais textos apocalípticos apócrifos, apesar de usar a mesma linguagem, O Apocalipse de João mostra-se bem melhor organizado.
Ele apresenta, também, uma mensagem com maior alcance no que se refere ao entendimento da soberania de Deus na História e ao processo redentivo do ser humano.
O Apocalipse de João vai nos revelar que o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo, nos dará a vitória em Cristo Jesus.
Estudo 1
Eis que vem com as nuvens
Apocalipse 1:1-7 — Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, (2) o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu. (3) Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo. (4) João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono (5) e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, (6) e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! (7) Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!
O último livro da Bíblia é muitas vezes chamado erradamente de Apocalipse de João. Mas, como podemos ver, esse não é o título que o autor dá ao livro. Reparem, no v.1, é dito claramente: Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João.
Trata-se, portanto, da revelação de Jesus Cristo! E isso é válido para toda a Bíblia, pois ela foi escrita com o objetivo de nos revelar o Senhor Jesus...
É o próprio Cristo quem diz isso em Jo 5:39 – Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.
Assim, se um crente ainda não leu a Bíblia toda, então não conhece a Cristo como um todo. Entretanto, em contraste com os outros livros do AT e do NT, onde vemos revelado o nosso Salvador, aqui no Apocalipse encontramos a revelação de que o Senhor Jesus está voltando...
Aliás, cabe salientar que Apocalipse = Revelação...
Os juízos terríveis que são mostrados no Apocalipse servem, justamente, para preparar o caminho, ou melhor, preparar o mundo para a revelação visível do Senhor Jesus na sua 2ª Vinda...
O (v.7) diz: — Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!
Esta é, em resumo, a mensagem principal do Apocalipse... João nos mostra Jesus como um Senhor real a quem Deus Pai deu todos os juízos e todo o poder no céu e na terra... Tudo está nas mãos de Jesus...
E qual é o fundamento da volta de Jesus? Unicamente, o seu grande amor por nós... Foi por causa desse grande amor que Ele nos comprou com o seu próprio sangue...
No v.5 lemos: – e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados...
Reparem que, pela razão humana, primeiro deveríamos ser lavados e depois amados... Mas, esse v.5 diz o contrário... Diz que Ele nos amou primeiro... quando ainda estávamos na imundície do pecado...
O resultado desse amor é tremendo, porque, depois de nos ter lavado com o seu sangue, o Senhor Jesus nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai conforme está no v.6, e logo a seguir vem a promessa da sua volta: Eis que vem com as nuvens (v.7)
A Vocação para a Revelação
Apocalipse 1:8-20 — Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso. 9 Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. (10) Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta, (11) dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. (12) Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro (13) e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro. (14) A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; (15) os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. (16) Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força. (17) Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último (18) e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno. (19) Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas. (20) Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.
Reparem que João ouve a voz do Senhor Jesus, dizendo: – Eu sou o Alfa e Ômega, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.
Alfa é a 1ª letra do alfabeto grego e ômega é a última. O que isso significa?
Muitos tradutores pensaram que o homem simples não entenderia isso e acrescentaram, como está, por exemplo, na Ed. Corrigida: “O princípio e o fim”. Isso não está escrito no texto original, embora o conteúdo esteja certo, pois o Senhor é de fato o Princípio e o Fim.
Mas, a expressão “alfa e ômega” tem um significado ainda mais profundo. Significa que Jesus Cristo é o Verbo eterno, que além Dele não existe mais nada a dizer, porque Ele e somente Ele é a Palavra no seu sentido mais completo. A VERDADE E A VIDA
Essa é a razão do acréscimo do v.8 – aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.
Vamos agora entender o significado do v.9 – Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
/// O Imperador Domiciano governava o império romano de forma extremamente autoritária. Ele se considerava um deus, espalhava imagens suas pelo império, punindo com martírio, exílio, torturas, confisco e a morte quem não o adorasse.
Domiciano estabeleceu um sistema de delatores que agia como verdadeiro flagelo. Os cristãos da época recebiam todo o impacto dessa política cruel...
Nesse contexto, o Apóstolo João encontrava-se exilado na ilha de Patmos, como resultado das perseguições do império. Lá, ele teve a oportunidade de refletir sobre o significado do conflito que havia surgido entre o Estado Romano e a Igreja Cristã.
João levou em conta esse conflito no seu sentido histórico e cósmico e, meditando sobre suas vastas implicações, caiu num estado de êxtase, sob a influência do Espírito Santo, recebendo de Deus uma visão que lhe permitiu escrever o "Livro das Revelações".
Que resultaria de tudo isso? O Cristianismo iria acabar? Deus perdera o poder? Por que Deus não intervinha? Quem venceria as forças do inferno, encarnadas em Domiciano? Até quando o império romano se manteria oprimindo os cristãos?...
O povo cristão precisava, assim, de alguém, ou de algo, que os encorajasse, que lhes desse uma visão de futuro e que lhes garantisse a vitória, apesar de perseguidos, dispersos e mortos.
Não somente os cristãos daquela época, mas todos os povos que viriam depois, de alguma forma, necessitavam dessas palavras de encorajamento e dessa visão de futuro da vitória de Cristo sobre o mal.
É esta a grande mensagem que João nos entrega através do seu Apocalipse, uma mensagem cheia de bem-aventuranças...
(AP 22:7) — Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.
(AP 1:3) — Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.
(AP 14:13) — ... Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor...
(AP 16:15) — ... Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha.
Quem são Os Destinatários da Revelação?
O v.11 indica que o livro foi dirigido às "sete igrejas que estão na Ásia". O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.
Entretanto, isso não significa que os receptores da mensagem estivessem limitados apenas a essas igrejas.
O uso do número "sete", que simboliza "inteireza" ou "perfeição", indica que o livro era para todas as igrejas da Ásia Menor. Na realidade, vamos verificar que a mensagem dirigida a essas igrejas teve um caráter universal para todos os demais cristãos, estendendo-se até os dias de hoje, e indo também até o futuro.
É, portanto, uma mensagem de vitória, uma mensagem de triunfo do Cordeiro-que-tira-o-pecado-do-mundo. É uma mensagem de encorajamento, até que os reinos deste mundo se tornem parte do Reino de Deus e de seu Filho, Jesus Cristo.
Como eu disse, anteriormente, as condições dos cristãos que primeiro receberam o Apocalipse eram bastante críticas. Por várias décadas o Cristianismo havia passado meio despercebido do império romano.
O Judaísmo era considerado uma religião legal e Roma via o Cristianismo como uma parte do Judaísmo.
Pouco à pouco porém, Roma notou que o Cristianismo e o Judaísmo eram religiões completamente diferentes. Além disso, existiam diversos motivos para que houvesse uma forte má vontade contra os cristãos...
Por exemplo: O Cristianismo era considerado uma religião ilegal porque, ao contrário das demais religiões consideradas legais, buscava conquistar seguidores entre os pagãos, fato que não era tolerado por Roma.
Outra coisa, aquele novo movimento aspirava tornar-se universal (católico) e o Reino de Deus era o seu ideal principal. Para os romanos, porém, o Estado era o principal, o que os levava a ver o Cristianismo como um possível rival do império...
O Cristianismo era uma religião exclusivista, pois os crentes da época se recusavam de participar da vida social e dos costumes pagãos.
Não freqüentar os cultos pagãos e não ter deuses romanos em casa fez com que o povo, em geral, visse os cristãos como inimigos de seus deuses.
Este clima de animosidade levava o povo a acreditar em tudo que se falava de mal a respeito dos cristãos.
Os cristãos eram acusados de todo o tipo de iniqüidades. O povo achava que tinham cultos e orgias secretas à noite, que bebiam sangue e que comiam carne humana.
Os cristãos negavam-se a ir à guerra, uma vez que todo soldado romano tinha que assumir compromisso com cultos aos ídolos do império, o que incluía uso de insígnias que idolatravam o imperador.
Além disso, os cristãos entendiam que Cristo os havia ensinado a largar definitivamente a espada e a usar meios pacíficos. Isso também contribuía para que o povo em geral os odiasse e os considerassem como traidores do império.
Aqueles que usavam a religião como forma de ganhar dinheiro, tais como os fabricantes de imagens, os sacerdotes pagãos e os comerciantes de animais destinados aos sacrifícios, faziam uma tremenda pressão contra o Cristianismo.
Os cristãos, como todos os povos dominados por Roma, tinham que afirmar que o deus-Cesar era superior ao Deus Cristo, o que os cristãos se negavam a fazer.
Assim, a sentença do governo de Roma foi que aquele grupo traidor e rebelde deveria ser exterminado. Para os cristãos, porém, uma outra ameaça se levantava contra eles: as muitas heresias que começavam a surgir, trazendo confusão e controvérsias, destruindo o companheirismo entre os crentes e ameaçando o próprio Cristianismo como um todo.
Esse era o clima a que estavam submetidos aqueles crentes do século I.
A Visão Inicial do Cordeiro
No trecho que estamos estudando, João vislumbra Cristo redivivo, santo, majestoso, onisciente, cheio de autoridade e todo poderoso.
Ele está de pé no meio das igrejas, tem a sorte delas em suas mãos e diz: "Não temais ! Eu morri, mas vivo para sempre. E, mais do que isso, tenho em minhas mãos as chaves da morte e do túmulo. Não deveis temer ir para o lugar do qual eu tenho a chave. Podereis ser perseguidos até a morte, mas eu sou ainda o vosso Rei". É isso o que o Senhor está dizendo em AP 1:18-20...
Que nós possamos ter sempre essa visão de vitória gravada em nossas mentes para que jamais venhamos a desanimar quando estivermos diante de quaisquer provações em nossa vida, seja na saúde, em nossos relacionamentos, nos desafios da nossa subsistência, ou quando estivermos sendo perseguidos...
Amém

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