sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Doutrina da Salvação – Parte 3


No estudo anterior, vimos que a Eleição é Pessoal e Individual, bem como é Particular e Preferencial. O estudo mostrou também que a eleição é graciosa.
Além disso, mostramos ainda que a Eleição é justa. Agora, vamos dar seqüência ao nosso estudo, vendo a Eleição diante da proibição bíblica de se fazer acepção de pessoas.
1. A Eleição e a Proibição de se Fazer Acepção de Pessoas
Uma das dificuldades para entender a eleição são as numerosas (no mínimo 17) citações da Bíblia que toca no assunto de que Deus não faz acepção de pessoas, e as instruções de que nós não devemos também fazer acepção de pessoas.
Vejamos algumas dessas citações. Lv 19:15 diz — Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo.
Dt 10:17 — Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno;
Mt 22:16 — E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens.
E existem muitas outras passagens semelhantes. Agora, reparem, uma escolha diferenciada, claramente, mostra uma preferência, mas também é óbvia a verdade bíblica que está em Pv. 24:23 — Parcialidade no julgar não é bom.
Entretanto, é bíblico também que uma escolha pessoal, individual, particular ou preferencial, em misericórdia e graça, NÃO fere de maneira alguma a verdade de que Deus NÃO faz acepção de pessoas.
Não há nenhuma ofensa a este princípio de justiça, pois a acepção de pessoas refere-se não ao exercício de misericórdia e amor, mas ao exercício do julgamento, dando-se o que é justo.
A eleição NÃO é, de jeito nenhum, o exercício da justiça, ou do julgamento de Deus. A eleição é o exercício do amor e da graça de Deus.
Em Dt 7:7 lemos — Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos...
A frase “porque não há no SENHOR nosso Deus iniqüidade nem acepção de pessoas” (2 Cr 19:7) é referente ao desempenho do julgamento, E NÃO se refere à aplicação preferencial do amor e da graça de Deus.
Além disso, a ordem de não se fazer acepção de pessoas é, muitas vezes, um conselho dado como aviso importante aos juízes de Israel para que julguem com consciência e honestidade.
Dt 16:19 — Não torcerás a justiça, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno; porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e subverte a causa dos justos.
Assim, as referências bíblicas que falam que não há acepção de pessoas em Deus associam-se, na sua maioria, com o assunto de julgamento.
Uma poucas referências mencionam “acepção de pessoas” num ambiente diferente da circunstância de julgamento. Atos 10:34 — Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas;
Tiago 2:1,9 — Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas... 9 se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores.
Essas passagens ensinam que não devemos fazer distinção entre as pessoas que merecem, igualmente, um tratamento positivo.
Não devemos, portanto, praticar uma preferência entre as pessoas a quem devemos entregar a mensagem de Cristo (Atos 10:34), nem devemos preferir uma pessoa sobre uma outra, quando todas merecem igualmente o bem (Tiago 2:1).
É verdade bíblica, que no julgamento divino, NÃO há nenhuma acepção de pessoas, pois cada um será julgado segundo as suas obras. É isso o que está em Ap 20:13 — E foram julgados, um por um, segundo as suas obras...
Mas, na misericórdia de Deus, na qual as boas ações a ninguém confere direito, nem merecimento, uma distinção de pessoas pode existir e existe.
Ninguém merece uma distinção positiva, mas todos merecem um julgamento justo pelos pecados que cometeu e não foram perdoados porque a pessoa não se arrependeu.
Entre os salvos esse julgamento justo dos seus pecados se faz pela pessoa e obra de Cristo. Os não-salvos conhecerão o julgamento divino e justo no lago de fogo.
A eleição NÃO é uma escolha divina entre os bons e maus, mas ISTO SIM, uma escolha entre todos os maus, entre todos os que não buscaram a Deus.
É exatamente como lemos em Rm 3:10-18 — como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.
Quem recebe a misericórdia são os que Deus, soberanamente e segundo o beneplácito da Sua vontade, escolheu. Nos exemplos bíblicos, quem já reclamou disso?
Vale repetir, porque essa dúvida insiste em vir à tona, quando a doutrina da eleição é ensinada > Deus seria injusto em fazer uma distinção entre pessoas?
A duvida surge porque as pessoas pensam que todos são merecedores da atenção positiva de Deus. Mas essa dúvida é eliminada, quando é entendido que, entre os pecadores, NÃO HÁ ninguém que mereça qualquer atenção favorável de Deus.
Is 59:1,2 — Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. 2 Mas as nossas iniqüidades fazem separação entre nós e o nosso Deus; e os nossos pecados encobrem o seu rosto de nós, para que nos não ouça.
É claro que todos os pecadores necessitam da misericórdia divina, mas também deve ficar claro que não existe ninguém que mereça essa misericórdia.
Se, como alguns imaginam, entre todas as pessoas que supostamente mereçam uma atenção positiva, ou entre todas as pessoas que clamam em arrependimento, e que têm fé na salvação, fosse feita uma distinção preferencial, aí SIM haveria uma tremenda injustiça da parte de Deus.
Mas quando todas as pessoas são, verdadeiramente, inimigas de Deus e rebeldes (Rm 8:6-8) e condenadas (Jo 3:19), e ninguém está buscando a Deus (Sl 14:1,2), a misericórdia de Deus é concedida, individual e particularmente, sem que haja a mínima injustiça.
Resumindo: entre pessoas com merecimentos iguais, uma distinção preferencial é séria injustiça. Todavia, a eleição, ou a escolha, ou a predestinação, foi feita entre pessoas sem quaisquer merecimentos.
Tiago 2:13 — Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo.
Reparem que, pelo fato de Deus fazer uma escolha qualquer entre os pecadores, isso não faz os pecadores não escolhidos mais ímpios do que eles já são.
A eleição também não faz os pecadores não-eleitos mais condenados. Ninguém é condenado pelo fato de não ser escolhido. NÃO!
A condenação é porque o homem pecou (Gn. 2:17; 3:6; Ez 18:20; Rm. 6:23). Os pecadores não são mais culpados, ou menos culpados, por não serem escolhidos, mas por não obedecerem os mandamentos de Deus.
Nesse sentido, 1 Jo 3.4 diz assim — Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei.
É o pecado, portanto, e não a eleição, que condena. A escolha que Deus faz, somente opera de maneira que alguns pecadores são salvos, ou seja, que alguns tenham os seus pecados colocados em Cristo.
Todo pecador tem a responsabilidade de se arrepender dos pecados e crer no Filho de Deus, em Jesus Cristo, para ter a remissão dos pecados.
Deus fará a Sua obra da salvação nos que O buscam com todo o coração. Is 55:6,7 diz — Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.
Então, a mensagem é essa > Busquem o Deus misericordioso, através do Salvador, enquanto é dia!
2. O Tempo da Eleição
Quando foi que Deus decidiu, exatamente, quem receberia a Sua graça, graça que não era segundo a capacidade, nem pela ação do pecador?
Embora as pessoas possam discordar com o que já estudamos até aqui, todos são unânimes num ponto > a eleição foi determinada na eternidade passada, "antes da fundação do mundo" (Ef 1:4)
Entendemos, portanto, que o propósito divino para os eleitos serem salvos, veio antes de nós termos a possibilidade de conhecer a Deus (Is 45:5), antes da chamada à salvação (Rm 8:29,30), antes da própria fé (Atos 13:48; João 10:16) e veio bem antes dos eleitos terem nascidos, antes, pois, que fizessem o bem ou o mal (Rm. 9:11).
As Escrituras são claras, portanto, ao afirmar que a eleição é desde a eternidade.
A imutabilidade de Deus é referida neste ponto, pois Deus faz tudo segundo o Seu propósito (Rm 9:11; 2 Tm 1:9) que é segundo a Sua soberana vontade (Ef 1:11), os quais são integrantes dos atributos eternos de Deus.
Deus nunca pode ter um novo plano ou propósito. Em Atos 15:18 lemos — Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras; — ou como em Ef 3:11, seu "eterno propósito".
Se fosse possível a Deus ter um plano novo, este seria para melhorar aquele que veio antes, ou seria inferior ao que veio primeiro.
Mas Deus é perfeito (Nm 23:19) e 2 Co 5:21 afirma que Deus "não conheceu pecado", Deus é eterno (Sl 90:2, "de eternidade a eternidade, tu és Deus."), Deus é soberano (Ef 1:11 "faz todas as coisas segundo a Sua vontade") e Deus é imutável (Ml 3:6, "Porque eu, o SENHOR, não mudo").
Conseqüentemente, quando Deus salva um homem, Ele esteve sempre intencionado e propositado a salvá-lo.
Aqui, cabe uma observação > A eleição é da eternidade, mas a salvação da alma é feita no tempo de cada um. A eleição não é salvação, mas PARA a salvação. Fomos eleitos "desde o principio para a salvação" (2 Ts 2:13).
Pela operação do Espírito Santo no coração da pessoa, o eleito é levado a ter fé na verdade que é declarada pela pregação em tempo oportuno (Tiago 1:18).
Antes que o eleito seja salvo, ele está entre os mortos em pecados, pois está, ainda, sem a salvação, mesmo sendo eleito, escolhido ou predestinado.
Aquele que foi escolhido na eternidade por Deus, soberanamente, será operado pelo Espírito Santo para agir com fé, segundo a responsabilidade do homem no tempo presente e em resposta à Palavra de Deus (Atos 18:10; Rm. 10:13-17; João 15:16; Ef 2:10).
3. A Base da Eleição > O Amor de Deus
Para os salvos, é uma benção tremenda saber que, mesmo tendo amado a Deus, através de Cristo, somente no tempo presente, o eterno Deus os amou desde a eternidade.
Esse amor eterno também é um estímulo para os que ainda não foram salvos. Estes são animados a procurar esse grande amor e misericórdia, que ultrapassa a impiedade dos seus pecados (Rm. 5:20 "onde o pecado abundou, superabundou a graça").
Dt 7:7,8 — O SENHOR Deus os amou e escolheu, não porque vocês são mais numerosos do que outros povos; de fato, vocês são menos numerosos do que qualquer outro povo. Mas o SENHOR os amou e com a sua força os livrou do poder de Faraó, o rei do Egito, onde vocês eram escravos.
Nisto entendemos que o amor estimulou a eleição. O profeta Jeremias nos lembra desse amor eterno, o qual é a base da operação de Deus quando diz: — Há muito que o SENHOR me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí (Jr 31:3).
O eleito reage ao amor de Deus, e não o contrário, que seria Deus reagindo ao amor do eleito. O salvo tem um relacionamento amoroso com Deus, justamente por causa do amor de Deus que agiu primeiro.
Por isso o apóstolo João declara em 1 Jo 4:19 — Nós O amamos porque ele nos amou primeiro.
Assim, pelo amor eterno de Deus podemos entender que este amor é maior do que os nossos pecados, fraquezas, tolices e desobediências.
A eleição é baseada, portanto, unicamente no amor. A eleição não é baseada, de maneira alguma, nas ações passadas, presentes ou futuras de qualquer homem.
As pessoas são finitas e, no tempo de cada uma, vêm a conhecer o Senhor Deus, mas a misericórdia e o amor de Deus sobre estas pessoas é "desde a eternidade e até a eternidade" (Sl 103:17).
Antes do eleito existir como um ser humano, e antes de ser temente a Deus, quando ainda era morto em ofensas e pecados, o amor de Deus era "desde a eternidade" passada, para com o seu povo e ficará sobre estes "até a eternidade" (Ef 2:1-5).
Desta maneira, porque tudo depende do amor de Deus, a nossa eleição NÃO É a única benção assegurada. A salvação eterna também é garantida.
A obra que o amor de Deus começou, o Seu poder em amor completará. Em Fl 1:6, o apóstolo Paulo afirma — Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.
Assim, que o descrente venha a Cristo confiante pela fé nesse amor de Deus, visto tão claramente em Cristo, é o nosso desejo. E que nós que somos cristãos possamos nos santificar a Cristo mais e mais! Amém

Nenhum comentário:

Postar um comentário